terça-feira, maio 24, 2005

24/05/05

Não percebo! Juro que não percebo …
Serão os Homens assim tão difíceis de entender? Não acredito que seja possível que não tenham coração. Mantém-se a minha teoria de que os Homens largam as mulheres quando realmente se apaixonam por elas. Não aguentam, têm medo de uma relação, de se entregar, de dar… E até lhes dou uma certa razão nesse ponto. Eu não acredito em relações, não acredito em fidelidade nem em monogamia. Por muito que me custe assumir isto. Ás vezes penso (e já dei por mim a afirmar isto) que quando se gosta não se trai. É mentira! Mesmo gostando muito da pessoa com que se está, basta surgir a oportunidade. Aí, ou se foge dela logo, ou então basta um primeiro contacto, basta o primeiro beijo e já não há volta a dar, já não se volta atrás. A carne é fraca, o desejo fala mais alto e quando damos por nós, já está!
Mas porque é que não suportamos que nos façam o mesmo? Como é possível que sejamos tão cruéis ao ponto de trair mas não admitir sermos traídos? Só de imaginar, dá-me um aperto no peito que nem sei descrever, dá-me nojo!
Sei que me estou a contradizer e só isso pode explicar o turbilhão de sentimentos que aqui vai.

Vivo sempre apaixonada. Vivo cada paixão como se fosse única e a última. Entrego-me.
Quando não estou apaixonada, a vida não faz sentido, é tudo um vazio gigantesco, sinto-me dentro de um buraco. Era assim que estava há uns tempos atrás, antes de o conhecer. Era infeliz, estava triste. Achava que já nada nem ninguém me podia tirar do fundo daquele poço. Mas encontrei-o! No meio da escuridão da discoteca mais conhecida de Lisboa, os nossos olhares cruzaram-se em simultâneo. Depois de algum tempo, ele veio falar comigo e fomos ao bar…No meio da multidão, os nossos corpos tocaram-se e eu soube como a noite ia acabar. Não me enganei… Rasgou-me os collants que trazia debaixo da mini-saia e fodeu-me na copa da discoteca.
Eu não estava minimamente preocupada em ficar com o nº de telefone dele nem em saber o seu nome e achei que ele pensava da mesma forma, mas não…pediu-me para gravar o meu número no telemóvel dele e eu assim o fiz. O primeiro telefonema foi nessa mesma manhã, não me sai da cabeça a frase: ” Guarda este número e liga para mim quando quiseres”.
Os telefonemas não pararam no fim-de-semana e segunda-feira às 9.00 da manhã, já me estava a pedir o e-mail.
Jurei a mim mesma que não me apaixonava, não por ele. Não podia ser! Acho que consegui aguentar as primeiras 3 ou 4 semanas. O sexo era (ainda é) qualquer coisa de inexplicavelmente bom, violento, carnal, maravilhoso, mas não parecia passar disso até que começaram os jantares, os cafés, os cinemas, os passeios. Apaixonei-me no dia em que ele adormeceu pela primeira vez ao meu colo. Desde esse dia não consigo controlar, não consigo fazer diminuir as borboletas que voam no meu estômago cada vez que sei que ele está para chegar, não consigo deixar de adorar o cheiro da pele dele. Ele faz-me mal. Consegui manter-me distante do dia-a-dia dele, consegui não ter ciúmes, não ser possessiva mas o tempo foi-nos unindo e agora sei que não sou capaz de o dividir com mais ninguém por isso o mais certo era afastar-me dele de vez mas não consigo. Os planos que ele fazia para nós, as coisas que me dizia, a maneira como me abraçava ultimamente fazia-me pensar que era só dele e que ele era só meu.

Traí-o. Não sei se se pode chamar trair, porque supostamente não temos uma relação assumida mas o meu coração diz-me que errei. Fraquejei talvez por estar sensível, talvez por precisar que alguém diga bem alto: “ESTA È A MINHA NAMORADA”, por sentir falta de atenção, falta de flores, de ver estrelas cadentes na praia, de surpresas, de mensagens para o telemóvel …As mulheres precisam destas merdas, por muito que digam que não. O ser humano devia funcionar só com o corpo e o cérebro. Seguir o coração nunca dá resultado…


Quando me separei, imaginava para mim uma relação exactamente assim como esta. Umas quecas sem compromisso. Sem compromisso e sem sentimentos. Mas pelos vistos não é possível tirar os sentimentos deste cenário.
Devia ter ficado contente quando ele me disse que não conseguia dar o passo que eu queria, quando me pediu para seguir com a minha vida mas me disse que gostava de mim e que não queria deixar de me ver, quando me confessou que tem pavor de assumir monogamia, que sabe que provavelmente está a deixar fugir uma pessoa muito especial mas que é a maneira dele para lidar com a situação. Mas não fiquei. Chorei toda a noite com ele abraçado a mim sem saber o que fazer.
Não sei se suporto estar com ele mas também não sei se suporto desaparecer da vida dele.
Só sei que quando estou nos braços dele, o mundo pára e nada mais interessa.