segunda-feira, janeiro 02, 2006

Bom Ano!

Sobrevivi!!!
Sim, porque houve uma altura no meio da minha bebedeira que as lágrimas não paravam de cair pela minha cara e cada abraço que me davam fazia-me soluçar ainda mais. Sentia uma dor tão grande. Aquela dor que associamos a uma perda eterna, não sei explicar. Fez um ano. Fez um ano que vi o sorriso pela primeira vez, fez um ano que o senti. Hoje faz um ano em que fugi de casa para ir para a dele, que parámos numa loja extra para comprar comida, que passeei a primeira vez, ainda na velha mota. Amanhã faz um ano que……….mas o que é que isto interessa?
Para que é que eu hei-de estar prá’qui a bater no ceguinho??!
E quem é que eu quero enganar quando digo que o esqueci?
Quem é que entende que na sexta-feira soube que eras tu assim que olhei pelo retrovisor, no mesmo milésimo de segundo em que os meus olhos viram a tua mota, o teu fato, as tuas luvas….
Há 5 meses que acabou, já chega!!!!! Desaparece.


Passei a meia-noite numa cervejaria em Alcântara! Nem champanhe tinha, mas brindei com vinhaça, também não é mau. Comi as doze passas já deviam ser duas da manhã, mas também não faz mal. Não tinha cuecas azuis, estreei umas que tinha guardadas para uma ocasião especial, como tive medo que as cuecas apodrecessem, resolvi usá-las. Tem que se estrear alguma coisa não é? Também não deve fazer mal…
A única tradição que segui á meia-noite foi mesmo contar dinheiro em cima da cadeira (sim, estava num restaurante e ainda por cima de mini-saia…mas o Sr. João que me tinha trazido as duas garrafas de vinho, percebeu!...)

Lá chegámos á tal festa, animada por sinal! Encontrámos amigos, fizemos uns novos… Eu fiz mais amigas que amigos infelizmente, mas enfim.
Caí duas vezes, rasguei os collants. Entornei a bebida. Perdi o gloss da Channel que eu adorava. Tudo normal.
Às 6.00 fartei-me. Fui-me despedir de um amigo, que com um olhar doce me deu um beijo na boca. Correcção: Um beijinho. Não sei o que se passa com os homens mas já é o segundo que me faz isto. Devem ver em mim algo maternal, não sei. Ou terão algum problema com a língua? Ainda meia parva, fui me despedir de outro amigo que com cara de poucos amigos disse:
“Eu vi-te a beijar aquele gajo e não gostei”
“Sim, e?”
“Nada, amanhã telefono-te e falamos”
Não percebi. Ele não telefonou.
A minha irmã levou-me á porta e como se eu fosse uma criança perguntou a um segurança se me ajudava a apanhar um táxi.
Simpático e prestável, o moçoilo levou-me ao Multibanco e pediu o número dos táxis. Não me lembro muito bem mas aquilo ainda demorou algum tempo e entretanto começou a conversa do costume:
-“Então, uma menina tão gira vai-se embora sozinha?!”
-“Pois é, já viu isto?”
-“Realmente….”
-“Então e a menina quer ir beber um café um dia destes”?!
(Foda-se, pensei eu…já cá faltava)
-“Sim, claro...”
-“Então fica tu com o meu nº de telefone”
(Graças a Deus …. posso sempre não telefonar)

E o táxi lá chegou e finalmente eu fui para casa.
Sozinha.